Sistemas de Controle do Ambiente

fev 11th, 2010 | By Ricardo Ribeiro | Category: Conforto Térmico

O condicionamento térmico é função basicamente do isolamento térmico e da ventilação. A radiação solar incidente e o calor gerado pelos animais constituem-se nas principais fontes de calor nas edificações. O primeiro pode ser controlado pelo isolamento térmico e o segundo, pela ventilação.

Ventilação natural ou forçada e o efeito termosifão.

DSC04107A ventilação natural tem sido estigmatizada em termos de condicionamento térmico, em virtude de sua dependência das condições do vento externo, da instabilidade e pelas alterações similares às flutuações externas.

Por outro lado, no sistema dinâmico, mesmo com o funcionamento de ventiladores a pleno regime, a temperatura interna tende a elevar-se de forma contínua à medida que a temperatura externa aumenta.

A ventilação adequada dentro de uma edificação é de extrema importância, pois é responsável pela remoção da umidade e poeira, dispersão dos gases, dispersão do excesso de calor e fornecimento de oxigênio para a respiração.

No caso de épocas frias, quando se deseja manter o calor dentro das edificações, a ventilação deve ser adequada apenas para a remoção do ar e a eliminação de gases e umidade.

A velocidade máxima de vento perto dos animais confinados não deve ultrapassar 0,2m/s, evitando-se problemas pulmonares. As instalações com adequada entrada de ar pelas paredes e saídas por aberturas no telhado permitem uma ventilação contínua através das forças do efeito sifão térmico.

Sugere-se o uso de materiais de cobertura com maior inércia térmica, bem como o uso de um sistema de ventilação adequado e de isolamento térmico. O pé direito também é fator predominante na carga térmica de radiação resultante dentro de um abrigo.

Pesquisas mostram que o pé direito dos aviários nunca deve ser menor que 3,0m para que se reduza a carga térmica de radiação acumulada no abrigo. Os beirais contribuem para o sombreamento do interior dos galpões e o lanternim é a parte mais importante do telhado, condicionando a perfeita ventilação no interior de aviários, permitindo a circulação constante do ar fresco no interior dos galpões. A recomendação é que o lanternim seja construído em toda a extensão de telhado.

A localização de uma instalação, em termos de orientação quanto aos pontos cardeais, é fator de extrema importância na construção. Dependendo da época do ano, alguma face da instalação receberá maior índice de insolação, tanto em termos de radiação solar direta como difusa, de acordo com a trajetória do sol.

Este fato irá influenciar na carga térmica total, que é transmitida para o interior da instalação. Desta forma, a carga térmica incidente em um abrigo a ser construído poderá ser reduzida, utilizando-se uma orientação adequada em relação ao sol.

A orientação leste – oeste em galpões para confinamento de animais é recomendado universalmente, a fim de minimizar a incidência direta do sol sobre os animais através das laterais da instalação, já que nesse caso o sol transita o dia todo sobre a cumeeira da instalação. Porém, em certos locais, este tipo de orientação pode prejudicar a ventilação natural, podendo ser a orientação norte – sul mais recomendável, quando se faz o cálculo do balanço térmico total do abrigo.

Em outros locais, a própria topografia do terreno impede que o aviário seja construído na orientação leste – oeste. Nestes casos, sugere-se que a radiação incidente nas laterais do abrigo seja amenizada através do uso de beirais maiores, além do plantio de árvores e arbustos ao redor as instalação para sombreamento.

No caso de ventilação forçada, pode-se fazer uso de ventiladores, isoladamente, ou associados a exaustores.

Resfriamento adiabático evaporativo

DSC04116As trocas de calor entre o animal e o ambiente correspondem à soma das trocas que se processam por radiação, convecção e condução, e essas trocas são por vias sensível e latente.

Basicamente, os sistemas de resfriamento adiabático evaporativo (SRAE) consistem em mudar o ponto de estado psicrométrico do ar, para maior umidade e menor temperatura mediante o contato do ar com a superfície umedecida ou líquida, ou com água aspergida ou pulverizada.

Como a pressão de vapor do ar insaturado a ser resfriado é menor que a da água de contato, ocorre a vaporização da água; o calor necessário para esta mudança de estado vem do calor sensível contido no ar e na água, resultando em decréscimo da temperatura de ambos, e, conseqüentemente, do ambiente.

O sistema de nebulização consiste na formação de gotículas extremamente pequenas, que aumentam a superfície de uma gota d\’água exposta ao ar, e que assegura a evaporação mais rápida.

A nebulização associada à movimentação do ar, ocasionado pelos ventiladores, acelera a evaporação e evita que pulverização ocorra em um só local e venha molhar a cama. A nebulização de água sem os ventiladores ou outro sistema de controle pode conduzir ao umedecimento da cama ou aumento exagerado da umidade relativa do local.

Sistema Túnel de Ventilação

O primeiro objetivo da ventilação tipo túnel é que o ar se renove passando por toda extensão do aviário, entrando por aberturas localizadas em uma das extremidades do aviário e saindo por exaustores localizados na extremidade oposta.

Pode existir diferenciação na localização das entradas de ar e exaustores: com entrada de ar nas duas extremidades do aviário, e os exaustores localizados nas paredes laterais, bem no centro do aviário, ou vice versa, o que torna mais curto o percurso do ar.

Manejo de cortinas

DSC04102Em aviários lateralmente abertos o manejo de cortinas é fundamental para obter um lote saudável, elevado bem-estar e produtivo durante todo período de crescimento do lote.

Um bom manejo da ventilação significa evitar súbitas mudanças na temperatura do aviário.

Uso de forros

No Brasil, o uso de materiais isolantes no forro, muitas vezes se torna antieconômico.

Não é recomendado em regiões que predominem altas taxas de umidade relativa, por facilitar a ocorrência de condensação do vapor d\’água no material poroso do forro, o que torna-o apenas mais uma barreira física, para a entrada do calor de radiação solar.

Porém, pesquisas demonstram que a presença de forro é crucial para que se tenha um bom desempenho na ventilação dos aviários, além de reduzir a condução do calor externo para o interior dos aviários. A presença do forro reduz a entrada de calor na instalação no verão, e a saída de calor no inverno.

Sistema de Cortina de Água (PAD)

PadCoolingO sistema de resfriamento evaporativo tipo PAD são geralmente os sistemas mais efetivos e eficientes para a redução de temperatura nos aviários. Os Pads são feitos de papelão corrugado, fibras, entre outros materiais.

A eficiência do resfriamento evaporativo em Pads é geralmente maior (80% a 89%) em sistemas de Pads de celulose, se bem projetados. Tal sistema consiste em água escorrendo através do Pad, e o ar atravessando-o e entrando para o galpão. Isso ocasiona evaporação da água no Pad e conseqüentemente a redução da temperatura do ar.

Os sistemas que utilizam aspersores para molhar os Pads se tornaram populares, pois são mais fáceis de se manejar e mais baratos que os sistemas de recirculação da água.

Temperatura da água de beber

nipple2Durante os períodos de altas temperaturas os lotes aumentam sua demanda pela ingestão de água. A relação entre a taxa de ingestão de água pela ingestão de alimentos é de aproximadamente 2:1 sob temperaturas de 21C, mas aumenta para 8:1 sob temperaturas acima de 38C.

Desta forma, deve-se deixar uma quantidade de água suficiente disponível ao lote. Bebedouros adicionais podem auxiliar na melhor distribuição de água ao lote sob condições de estresse térmico.

Resfriar a água de bebida através de uma maior taxa de renovação da água dos bebedouros tem demonstrado resultados favoráveis na diminuição dos efeitos negativos de estresse térmico. Linhas menores de distribuição de água no interior dos aviários também têm auxiliado na diminuição da temperatura da água de beber.

Conclusões

Conclui-se que a produção de ovos no país ainda é bastante tradicional, sendo conduzida em sua maioria em galpões inadequados.

A ambiência animal vem de encontro à necessidade de melhorar o ambiente de galpões pré-existentes, além de propiciar um manejo mais adequado às necessidades fisiológicas e de conforto das poedeiras e frangos.

A ambiência e bem-estar na avicultura é um assunto novo em relação aos outros segmentos em desenvolvimento como a nutrição e sanidade. Porém, muito já se sabe em relação aos efeitos do estresse térmico na produtividade das aves.

A tendência da avicultura brasileira é a de ampliar seus padrões de produção.

No futuro, para atingir melhores índices de rentabilidade, será necessário à adoção de processos automatizados e de ambientes climatizados nas regiões de clima quente ou durante o verão em todas as regiões.

Por: Patrícia de Sousa – DSc – Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves – Área de Transferência de Tecnologia.

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